O Burro e o Blog

 

O Burro

 
 

Filonéscio

“Um burro com galardões, mas sem maiores pretensões. 
Um asno!, inimputável, mas inelegível”.
 

“Além de ser a minha índole contrária a arruaças, a própria reflexão me diz que, não havendo nenhuma revolução declarado os direitos do burro, tais direito não existem. Nenhum golpe de estado foi dado em favor dele; nenhuma coroa os obrigou. Monarquia democracia, oligarquia, nenhuma forma de governo, teve em conta os interesses da minha espécie. Qualquer que seja o regímen, ronca o pau. O pau é a minha instituição um pouco temperada pela teima que é, em resumo, o meu único defeito”. 

(Machado de Assis)

O Blog (*)

O Apanágio dos Néscios é um blog mantido pelo @Filonescio , que procura mostrar como a humanidade caminha de olhos fechados – ou mesmo abertos – para o abismo da ignorância, da estupidez, da nescidade. Colocados assim, de forma redundante, para enfatizar como essa caminhada está cada vez mais acelerada. Trata de diversos assuntos do cotidiano, divididos nas seguintes categorias:

Crônica – Um apanhado das melhores crônicas da literatura brasileira e dos causos da fazenda contados pelo Filonéscio;

Poesia – Uma seleção dos poemas apreciados pelo nobre burro;

Política – Se o homem é um animal político como disse Aristóteles; o Filonéscio, que é o amigo das criaturas estúpidas, pode ajudar esse animal a entender o mundo a sua volta;

Burrosofia – Filosofia de burro e de bolso. Pequenas pérolas do conhecimento humano (não é para lançar aos porcos, por favor!) e da vivência eqüina. Afinal, “…nós nunca seremos astrônomos. Mas a filosofia é nossa”.

Vivo na Fazenda Gira Mundo na região rural da gloriosa São João do Quentão, uma cidade como tantas outras pequenas cidades desse imenso país. A fazenda produz tudo que é necessário para os moradores das redondezas, exceto ideologias assassinas fantasiadas de justiça social.  Aqui, galinhas botam ovos, vacas dão leite, ovelhas – mesmo sendo estúpidas de dar dó – fornecem lã para roupas e cobertores, e o burro (eu, no caso) é o responsável por levar todas essas coisas para serem vendidas no centro da cidade ou para onde quer que o patrãozinho conduza a carroça.

(*) Textos publicados originalmente em Houyhnhnnms. Traduzidos para o português com a colaboração do alterego humano do Filonéscio.

A estupidez “é ativa em todas as direções e pode vestir-se com todas as roupas da verdade. A verdade por outro lado, tem para todas as ocasiões apenas um vestido e um caminho, e está sempre em desvantagem.”

(Cf. Eric Voegelin, “Hitler e os alemães”, p. 137- 138)